Home

June 2009

S M T W T F S
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930    

Advertisement

Syndicate

RSS Atom
Powered by LiveJournal.com

Jan. 22nd, 2009

É Proibido Proibir

Caetano Veloso, festival da canção da Rede Globo, em setembro de 1968 (grande ano!).

A apresentação de Caetano foi incrível, como alias, todos aqueles festivais de musica, sendo que o da TV Record foi o mais badalado e a Globo saiu atr
ás com o tal FIC. Era também o início das transmissões ao vivo pela tv (ainda em preto e branco, não?!).

 

E eu digo não
E eu digo não ao não
Eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir...
(Caetano Velo. letra completa no site
letras.us do Terra.)

Trago isso por conta da matéria sobre proibir ou não proibir acessos a vídeos e outras coisas nos telecentros, publicada recentemente no site Cidades Digitais.

Nossa experiencia com os Tabuleiros Digitais na UFBA/FACED mostra-nos o quanto essa eh uma importante luta que não podemos deixar simplesmente que a logica do mais fácil tome conta de projetos importantes como esses dos telecentros, infocentros ou que nome queiramos dar.

Em recente polemica na nossa Faculdade sobre o tema, insistíamos sobre a necessidade de se colocar uma questão em primeiro lugar, pergunta que, em nossa opinião, deve balizar toda a discussão sobre o tema. A questão: por que os filhos das classes média e alta podem ter acesso ao universo da internet, na privacidade de seus quartos, com banda larga, suporte via telefone e computadores poderosos para fazer um monte de coisas como baixar músicas, mixá-las, distribuí-las, jogar videogames online, conversar com amigos velhos e novos, visitar e interagir com sites às vezes não tão adequados segundo os adultos - que aliás, um dia já viram as mesmas coisas em gibis escondidos dentro dos livros escolares! -, e, os filhos dos pobres, têm que acessar internet em telecentros para serem treinados (com projetos pedagógicos) em word e excel (aliás, softwares proprietários que lhes “escravizarão” para o todo e sempre...)?!

Não temos dúvida que esses projetos, e junto com eles, a escola pública de qualidade que ainda estamos longe de encontrar, podem e devem assumir a condição de se constituir num efetivo espaço coletivo de culturas e conhecimentos, oferecendo aos filhos dos pobres aquilo que os filhos dos ricos têm em casa, como aliás já foi dito pelo educador baiano Anísio Teixeira, na década de 50 do século passado em uma belo texto que esta na Biblioteca Virtual Anísio Teixeira, agora abrigada na UFBA.

De fato, parece que, se não enfrentarmos essa questão com coragem, vamos ter que repetir Caetano em 68.

Vocês não estão entendendo nada, nada...

foi assim a ira de caetano naquele 68... Será que vamos ter que continuar a dizer que tem um monte de gente que não está entendo nada?!

Veja e ouça o discurso completo com a ira de Caetano contra a normalidade e a caretice, no
site Tropicalia, do Uol.

Aug. 14th, 2007

Procurando a tal Inclusão Digital

alguns incluídos são mais incluídos do que os outros! é o que nos coloca Buzato*. E, como a inclusão e a exclusão são formas simultâneas de ser/estar no mundo, venho aqui colocar algumas questões para desnaturalizar conceitos e ajudar a construir algumas idéias (que assim como a identidade, se constroi com o outro):

pendendo para o lado da construção das políticas públicas ou mesmo da tomada de decisões: se o telecentro é de todos, foram todos que decidiram que a empresa de rh recrutaria os voluntários?
Na primeira leitura tive a sensação de haver uma desconexão entre o telecentro, que, na minha visão deveria ter alguma coisa a ver com educação, e a empresa de rh, bastante corporativista. Sim, a empresa tem um foco corporativo, mas alguém disse que um telecentro não pode se transformar em um ambiente corporativo? como fazer para que este espaço torne-se uma zona de contato entre culturas, linguagens e tecnologias?

de q é que todos precisam? se todos precisam, estamos incutindo em uma padronização na tentativa de promover a igualdade? se todos não são iguais, como as políticas públicas podem chegar a todos? se não chega a todos, temos um governo de poucos? como pretendemos atingir a multiculturalidade através de políticas que devem ser para todos? ou não devem ser para todos?

outra coisa que me chamou a atenção no texto e comecei a lembrar dos tantos lugares que vi isto, foi o quadro de avisos: o que tinha dentro dele era aquela regra dura, dizendo o que NÃO pode; fora dele, tinha o quer era LEGAL, o que todos (sic) usam, o que pareceu significativo para quem realmente participa do processo. É mais ou menos isso que acontece com o tabuleiro?

o telecentro é uma forma de paternalismo? onde o governo coloca um espaço para os "coitadinhos" poderem acessar o site do governo, renovar o cpf e descobrir q tem poder de compra em mais este espaço? e que neste espaço pode entrar todos, desde que não desmanchem a ordem ali posta?


tem horas que me sinto incluída, tem horas que me sinto completamente excluída da compreensão deste tema. talvez seja necessário mais daquele movimento de "sair para ver-se dentro e entrar para ver-se fora". E é para que não seja apenas o incluído que fala do excluído é que acho o máximo  poder compartilhar o sentimento de exclusão, ter voz e, quem sabe, força, para criar outras zonas de aproximação entre inclusão/exclusão.

Adriane

* Tese, ainda no prelo, utilizada pelo grupo para discussão e que é trazida aqui para ampliar o debate.